domingo, 3 de agosto de 2008

Escolha decisiva

As lágrimas não se contiveram e escorriam de forma continua pela face de Álvaro, que se aproximou rapidamente ao corpo quase sem vida de seu melhor amigo, que respirava com muita dificuldade.
Álvaro o abraçou e dizia baixinho ao ouvido de Rodolfo:

- Agüenta firme amigão, nos vamos tirar você daqui. A Ana te espera ansiosa.

Rodolfo, quase sem fôlego, se esforça para dizer suas ultimas palavras:

- Álvaro, meu amigo! Você é como um irmão para mim.
Diga a Ana que eu a amo e que se eu não sobreviver a esse acidente, ajude a Ana a superar a minha morte e quando meu filho perguntar por mim, diga que eu o amo muito!
Mostra-lhe minhas fotos com Ana ao meu filho, para que ele saiba que foi seu pai e se ele perguntar por mim, diga-lhe quem fui mas não diga como foi meu trágico fim.

Os bombeiros apartaram a Álvaro de Rodolfo, com a intenção de tentar salvar sua vida.
Após proferir essas palavras, Rodolfo já não tinha forças para nada.
Acabara de falecer
Álvaro não acreditava no que estava acontecendo diante de seus olhos. E num momento de desespero grita:

- Não, Rodolfo, você não pode ir agora! Todos nos te esperamos!

Como Álvaro estava demorando para voltar, Estela saiu a procura de seu esposo.

Estela ficou chocada ao ver aquilo tudo, viu a Álvaro chorando e gritando desesperadamente correndo em sua direção.
Estela sem entender direito o que estava acontecendo, diz:

- Amor, o que aconteceu?

Álvaro entre lagrimas e soluços, responde:

- O Rodolfo, o Rodolfo...

Estela abraça a Álvaro e voltam a igreja, cabisbaixos.

Ana os vê chegando e logo pergunta:

- Álvaro?
- Estela?
- O que esta acontecendo, onde esta o Rodolfo, deveria estar aqui a quase quarenta minutos!

Estela abraça a Ana e em prantos diz:

- Ele se foi!

Ana transtornada, sem saber querer imaginar o pior, pergunta:

- O que?
- Como assim?

Álvaro se aproxima a Ana e mostra sua camisa com manchas de sangue.

- Ana, o Rodolfo, o Rodolfo faleceu naquele acidente!

Sem reação, Ana baixa a cabeça e repete o nome de seu falecido noivo duas vezes, uma lágrima escorre por seu rosto e caminha lentamente em direção a multidão.
Ao chegar, vê sobre o asfalto o que sobrou de um carro e ao lado o corpo de Rodolfo sem vida, coberto por uma manta térmica.
Ana entra em estado de choque e rapidamente foi atendida pelos enfermeiros da ambulância que atendia os feridos no acidente.

Todos os convidados abandonaram a igreja e foram ver o que havia ocorrido. Espantados, os convidados voltam a igreja e rezam pela alma de um homem que faleceu minutos antes de seu casamento.

Ninguém tinha motivos para continuar ali. Os convidados deram seus sentimentos à Ana e se foram, mas Álvaro e Estela continuaram até o fim. Aquela noite, Ana passou a noite com Álvaro e Estela. No dia seguinte, todos estavam cansados, pois ninguém dormiu. Estela estava dando apoio a Ana e as imagens de seu melhor amigo agonizando em seus braços não saía da cabeça de Álvaro. Mesmo assim, os três foram preparam o velório de Rodolfo, que merecia ser velado com todo o respeito.

Na mesma tarde do velório, Rodolfo foi sepultado. Ana, grávida de 6 meses não agüentou ficar até o final do sepultamento e teve que ser levada urgentemente ao hospital, sofria ameaça de aborto. Foi internada no hospital por 8 dias, onde foi atendida por médicos, psicólogos, ginecologistas entre outros profissionais do hospital. Ao receber a alta do corpo clinico, voltou a casa de Álvaro e Estela onde passou o resto do tempo de gestação.

As horas passavam, os dias passavam e Ana estava cada vez mais afogada numa depressão. Pouco a pouco com a ajuda de psicólogos, Ana se recuperava lentamente da perda do pai de seu filho.

Uma noite, Estela preparou um belo jantar, onde procurava reanimar a Ana e tentar reincorpora-la ao ritmo de vida que sempre levava. Após o jantar, Ana se sentia um pouco enjoada, pediu licença e foi recostar uns minutinhos. Álvaro estava vendo um filme com Estela na sala quando escutam a Ana gritando.

Ao chegar no quarto de Ana, Estela a vê com contrações, corre e avisa a Álvaro. Os três saem correndo em direção ao hospital.

Um comentário:

Anônimo disse...

Belíssimo, Duque!
Beijos ;)